15 de abr de 2015

E se tua vida fosse um livro?


Eu sempre gostei de conhecer novas pessoas e novos lugares. Não sou nem um pouco comodista, adoro mudanças. Não que eu não sinta falta das pessoas que acabei perdendo contato com o tempo, não que eu não me apegue, sou ser humano né, tenho sentimentos, não sou essa frieza toda que algumas pessoas pensam que eu sou, mas simplesmente não consigo ficar muito tempo com uma pessoa ou frequentando o mesmo lugar.

Pode ser que algum dia eu me acomode? Pode, mas sendo sincera, acho difícil. Talvez daqui a muitos anos, talvez quando eu já tiver cumprido todas as metas que planejei nos últimos tempos, talvez quando eu já tiver (quase) tudo àquilo que eu quero, talvez quando eu já tiver conhecido tantas pessoas e tantos lugares a ponto de nem lembrar mais de alguns deles, talvez quando eu já tiver ouvido e vivenciado tantas histórias que se eu fosse contar á alguém demoraria horas e mais horas, talvez quando eu encontrar alguém que me faça querer me acomodar, e talvez eu me acomode, ou talvez eu apenas dê um pause. Não tenho como prever o futuro, sou jovem e talvez inconsequente, esse é meu jeito, simplesmente o meu jeito.

Pois então, outro dia uma garota com a qual eu conversei bastante tempo atrás veio falar comigo pelo chat de uma das várias redes sociais que tenho, não lembro qual rede era e quando foi, mas isso não faz diferença. Ela veio falar comigo por um motivo em especifico: Precisava de um conselho e, sabe se lá porque, eu fui a primeira pessoa que a garota pensou. Senti-me lisonjeada, lógico! Ela tem várias amigas, e pensou em mim, uma pessoinha que ela conversou tempos atrás e nunca mais. Só não digo que fiquei surpresa porque esse tipo de coisa acontece com mais freqüência que vocês possam imaginar, talvez pelo fato de eu expuser a minha vida e a minha opinião sincera nos textos que escrevo (e aí algumas pessoas se identificam), mas acho que, talvez e principalmente, porque seja mais fácil conversar com uma pessoa de fora, que não convive contigo, do que com o pessoal que tu vê diariamente.

Acontece às vezes de meninas, principalmente na faixa dos 11 aos 14 mais ou menos vir conversar comigo nas redes sociais, contarem sobre os problemas e inseguranças delas, pedirem conselho. E eu adoro isso, acho maravilhosa a sensação de saber que sou útil pra estas meninas, nem que seja só pra ler o que elas têm pra escrever e dar meu pitaco. Geralmente os problemas têm haver com algum moleque (desilusão amorosa, amor platônico...), mas há também aquelas que têm problemas com os pais, se sentem rejeitadas pelos colegas, não estão satisfeita com suas aparências, mas enfim, costuma ser em torno dessas coisas que citei anteriormente. Mas essa não, ela me surpreendeu, me escreveu algo totalmente diferente do que eu esperava ler vindo direcionado á mim...

Ela me disse que tinha medo de mudanças; Não só a mudança de cidade que ela iria fazer em breve, mas também mudanças em gerais, e segundo ela mesmo disse, mesmisse era a palavra chave da vida dela. Caramba, sou eu que to aqui lendo, logo eu, apaixonada por mudanças, que adora conhecer gente nova, que não fica muito tempo no mesmo lugar! Na hora pensei “Mas que diabos que esta garota está me escrevendo”? Se ela procurava alguém que entendesse ela, procurou errado. Porque eu amo mudanças, amo, simples assim. Mas depois percebi que talvez eu fosse à melhor pessoa que ela possa ter procurado pra conversar, apesar de pensarmos tão diferente.

Minha primeira grande mudança foi aos 11 anos. Eu morava lá na capital do meu estado, Porto Alegre (RS), me mudei pra Pelotas (RS). Não bastasse mudar de colégio, mudei também de cidade, e pior, fui pro interior, que é bem diferente da capital. Não tive medo algum de vir pra cá, até cheguei a cogitar a possibilidade de não gostar e tal, mas na noite anterior á viagem, quando vi toda mobília sendo encaixotada, restando só o essencial pra passar a noite, abri um sorriso e fui tomada por uma felicidade que não sei explicar; Na manhã seguinte, já no ônibus, tive a certeza do quanto eu gostava de mudanças.

Mas essa menina que conversei era totalmente o oposto disso. Planejada, centrada e com uma vida padrão: Se formar no colégio, ir pra faculdade, se formar na faculdade, arranjar um emprego, ir morar sozinha, talvez comprar um carro ou uma moto, casar, ter filhos, mandar os filhos pra escola, pra eles se formar, irem pra faculdade e por aí vai... Não que eu não queria essas coisas, até quero, mas não exatamente nessa ordem, desse jeito, sem intervenções no meio, sem novidades, sem mudanças, sem novas histórias pra contar.

Acho que não tem sensação mais gostosa do que aquele friozinho na barriga que dá quando estamos prestes a fazer alguma grande mudança, ou quando acabamos de conhecer alguém interessante, ou quando vamos fazer algo que nunca fazemos. Amo mudanças, mas ainda sinto esse friozinho na barriga, e amo isso.

Talvez ela sinta saudade dos antigos amigos, da antiga cidade? Talvez coisa nenhuma, ela vai sentir! Eu senti. Passei por tantos lugares, e até hoje sinto saudades de pessoas que conheci anos atrás. Quando a gente escolhe viver assim, sem se estabilizar em algum lugar, tem isso né, a gente conhece muita gente, mas também perde contato com muitos outros. E tem pessoas que fazem falta pra caramba. Mas a vida segue, tem que ser assim. Eu posso ficar num lugar e as pessoas sumirem da minha vida de outro maneira, sei lá, as vezes acontece da pessoa perder o contato com pessoas próximas, deixar de se falar por besteiras, e aí a pessoa some da tua vida estando presente nela. É assim que as coisas funcionam, tem que saber lidar com as perdas. 

Acho que pessoas são como livros, todos tem pelo menos uma história legal pra contar, e até mesmo aqueles que a história não é tão legal assim, de alguma forma te acrescentam algo. Gosto de ler, e gosto de conversar com novas pessoas, da mesma forma que gosto de mudanças. Quando eu não gosto ou quando por algum motivo não dá certo, eu deixo pra lá, não me culpo nem sofro por isso, mas pelo menos valeu á pena. 

Estudei em um colégio interno, já fiz vários tipos de trabalhos voluntários, tenho muitos hobbies, converso diariamente com várias pessoas de vários lugares que pensam totalmente diferente uma das outras. Já morei em 3 cidades, já tive 4 moradias e já estudei em 7 colégios ao total. Não sei quantos livros eu já li, quantos pratos eu já fiz e quantas pessoas já conheci, mas são bastante, e quero que sejam cada vez mais. Eu sou feliz assim, eu gosto de ser assim, ou melhor, eu amo ser assim. E pra mim esse é o natural, é mudar, é estar sempre aberta á novas possibilidades, é ter cada vez mais e mais histórias pra contar.

Penso sim no meu futuro e é exatamente por pensar nele que quero ser muito feliz hoje, fazer muita coisa legal e ter muitas histórias pra contar, porque eu não sei se vai puder ser sempre assim, a vida da voltas, talvez eu me acomode (ou estabilize, chame como preferir) mais cedo do que eu penso, talvez algum dia – eu torço fortemente que isso não acontece – eu perca um pouco desse meu espírito aventureira e outras preocupações entrem na minha cabeça de modo que ser feliz e ter novas experiências deixe de ser uma das prioridades. Então quero passar por muita coisa, pra quando eu tiver mais velha, puder lembrar-me da minha adolescência e sorrir, porque diferente da maioria das adolescentes, não passei essa fase me preocupando com o que os outros vão pensar, andando com amigas falsas e chorando por meninos que nem na puberdade estão ainda. Nada contra quem vive assim, mas pra mim isso não é vida. Não sou fria, pelo contrário, tenho sentimentos até demais... Sentimentos de felicidade, esperança, vontade de viver mesmo. Alguns me amam, outros me odeiam. Mas que se ferre, to nem aí! Se não me acrescenta nada de bom, então vaza. É assim que eu penso, é assim que eu sou.

Já faz alguns dias que aquela menina me procurou, eu não lembro exatamente o que conversamos e nem vou especificar aqui. Mas lembro que uma das coisas que eu disse pra ela é não criar expectativas; Porque muita gente diz “ah, vai ser legal”, “ah, talvez seja até melhor do que é agora” e pode ser realmente, tu pode mudar pra um lugar e tu te sentir bem mais feliz lá, ou não, mas apesar de tudo, tu tiveste uma nova experiência, viveu algo novo, inovou, e pelo menos histórias pra contar – ou pra recordar, porque nem todas dão pra contar pra todos – tu vai ter. E não tem nada melhor que isso.

Digamos que sua vida fosse um livro, você gostaria de lê-lo ou acharia super entediante? Meu último conselho é: Haja como se sua vida fosse um livro. Pode parecer bobo e até mesmo tosco, mas funciona. Não perca tempo com sofrimentos bobos, sentimentos ruins e coisas banais. Deixe a insegurança de lado, não guarde rancor, não perca tempo com pessoas que não te acrescentam nada de bom. Seja observadora e escute sempre o que as pessoas tem á dizer, porque afinal, elas são pessoas, e não apenas personagens coadjuvantes da sua vida. Desconecte-se um pouco da internet e saia por aí. Faça uma lista de metas bobas, e tente realiza-las. Tente fazer uma boa ação sempre que der, e pense na probabilidade de fazer trabalho voluntário durante algum tempo, a sensação de fazer o bem é algo maravilhoso e inexplicável.  Procure viver da melhor forma possível, procure conhecer o maior numero de lugares e de pessoas, leia muito, tente fazer novas receitas, descubra qual seu hobbie e invista nisso, saia da mesmisse e vire a pagina sempre que der. Você vai ver, não tem coisa melhor que isso.

21 comentários:

  1. Adorei o post!

    beijinhos
    food&emotions
    http://fefoodemotions.blogspot.pt

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    1. Oi querida! Muito obrigada, fico muito feliz que tu adorou :D

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  2. Belo texto ♥

    http://sonhosejovens.blogspot.com.br

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  3. Eu quando mais nova tinha medo de mudanças e hoje algumas coisas me deixam inseguras.....mas sigo em frente kkk
    adorei o texto!

    Beijos;)
    * Blog da Pâm

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    1. Oi linda! Muito obrigada, fico muito feliz que tu adorou :D
      Isso mesmo, tem que seguir em frente!

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  4. Juro que se minha vida fosse um livro, seria bem interessante, uma comédia com alguns dramas, mas com final feliz com certeza

    www.morenaemoderna.com

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  5. Nunca fui de mudanças, mas a única vez que mudei não gostei nada!!
    As vezes mudar não é para melhor mas temos que dar a volta sempre por cima!!!
    Bj e obrigada :D

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  6. Oi Gaby, tudo bem!!!
    Menina, eu simplesmente assino embaixo!!!
    Já tive uma fase de ficar me preocupando com a opinião alheia, hoje penso em minha felicidade! E um dos meus lemas de vida é : Faça da vida uma canção!
    bjsss e boa semana querida!

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    1. Oi querida! Tudo sim. Belo lema :D
      Uma semana maravilhosa pra você!

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  7. Se a minha vida fosse um livro provavelmente ia ser aquele romances com uma pitada de drama e comédia, mas que acabam bem. Traria muitas lições de vida também HAHAHA.

    Beijos,
    http://www.girlbeinggeek.com.br/

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  8. Se minha vida fosse um livro , além de confuso rs teria drama, romance comedia kk
    adorei seu post
    http://eesmaltecia.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada, linda, fico muito feliz que tu adorou :D

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  9. Nossa, bem legal o texto. Eu sou do tipo que não gosto de "mudanças", de me arriscar, mas não deixo que a mesmice tome conta da minha vida rs.
    Um beijo

    Suellen Esposte Blog | Facebook | Youtube | Instagram

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    1. Oi linda! Muito obrigada, fico feliz que tu gostou :D

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  10. Amei o post!
    http://moonsantana.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada, linda, fico muito feliz que tu amou :D

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  11. Oi Gabriela!

    Muito bom o seu texto <3...tenho medinho de mudanças hahaha, mas mudar é bom!

    Beijos linda

    http://orangelily.com.br/

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